quinta-feira, 16 de novembro de 2017

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Laudato si

Por me considerar um homem comprometido com os princípios da Ciência, dos quais procuro seguir no meu cotidiano, quero iniciar este relato com a seguinte reflexão:
Os dinossauros surgiram na Terra há cerca de 231 milhões de anos e extinguiram-se à aproximadamente 66 milhões de anos; viveram, portanto, 165milhões de anos bem vividos e ao que tudo indica, desapareceram por causa de uma catástrofe natural da qual não tiveram nenhuma participação ou culpa, ou seja, se não fosse por isso, teriam vivido muito mais, mesmo com seus cérebros de tamanho aproximado de uma laranja. 
A humanidade, no entanto, mesmo com um esforço recente de aumentar sua existência, considera-se que há “apenas” 13 milhões de anos surgiu a espécie de primata com características mais próximas das da espécie atual de que se tem notícia, o Ramapithecus. Então, falta-nos 152 milhões de anos para alcançarmos o tempo de existência dos répteis Pré Históricos; tarefa que parece fácil para quem tem um volume cerebral de 1,5Kg, no entanto, é justamente sua capacidade de usar as habilidades que o cérebro e o corpo têm é que o coloca em risco de extinção, e não é por conta de uma catástrofe natural, é por causa de dele mesmo. Chega a ser estranho nos autodenominarmos seres inteligentes, pois é este atributo que nos condena.
Uma de nossas características mais marcantes é a espiritualidade que nos faz acreditar em um plano superior e uma motivação em fazer parte de Deus. Necessidade ou realidade, o fato é que vivemos a maior parte de nossa presença aqui na Terra acreditando que tudo o que aqui existe é infinito e nos pertence inquestionavelmente. A partir desta Filosofia dominadora, o homem tem causado modificações no clima, na oferta e qualidade da água e na biodiversidade ao causar a extinção de espécies sem uma razão minimamente espiritual.
Mesmo após todo o desenvolvimento da Ciência Ecologia, parte da humanidade não se importava com certas modificações que causavam ou simplesmente negligenciavam sua existência. Faltava-nos um olhar diferenciado daqueles que são os representantes das diversas formas de credo.
O Papa Francisco, com seu carisma e humildade, chama os católicos a refletir sobre essa Ecologia superficial que não resulta em ações concretas; reflete sobre a base da existência humana, fundamentada em três pilares; a relação com Deus, com o próximo e com a Terra e nos faz entender a criação como um dom e não como uma posse, pois somos feitos por Deus.
Ao reconhecermos nossa posição diante da criação, somos convidados a uma Conversão Ecológica, usando a fé na capacidade de superação que nos caracteriza e a força de instituições saudáveis que indicam o caminho a ser concretizado pela escola, família e catequese.

Angelo Vieira.